5 passos para Solução de Problemas: Método Limonada

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Método Limonada para Solução de ProblemasApresento a seguir o Método Limonada para Solução de Problemas, que organiza bastante o processo de lidar com problemas e desafios. O nome é uma analogia com a preparação de uma limonada. São 5 passos simples, da escolha dos limões (definindo a situação problema), até o beber e refrescar-se (execução e avaliação da solução). Tem ainda um modo de encarar o erro e o errar.

Antes desse método eu encarava meus problemas do modo normal: me desesperando, ficando ansioso e irritado, tomando a primeira ação possível para me livrar do problema o mais breve possível. Você já deve ter feito isso ou já viu alguém agindo assim; o final dessa história geralmente é incerto e temos que ficar torcendo para acontecer o que gostaríamos como desfecho. Isso quer dizer que a ansiedade, irritação e outras reações emocionais não acabam com uma tomada de decisão rápida ou impulsiva, podendo até prolongar ou ampliar a situação problema.

Método Limonada para Solução de Problemas

Para essa receita você vai precisar de

  • Limões (problemas)
  • Sede (necessidade de solução)
  • Faca e espremedor (entender o problema)
  • Água gelada (visualizar no contexto)
  • Açúcar (avaliar impactos)
  • Jarra (plano de ação)
  • Copo (executar a solução)
  • “Aaahhh!”, refrescar-se (avaliar a solução implantada)

1. Selecione os limões

limoes fatiados(Identifique quais são os problemas a serem focalizados e selecione exatamente qual é o problema-alvo a ser resolvido no momento)

Um ditado popular diz: "Quando a vida lhe dá limões, faça uma limonada!". Há uma mensagem otimista nesse provérbio; quando um fato ruim acontece em sua vida, algo que faça você fazer uma careta de dor, raiva, repulsa e/ou desespero, você pode escolher fazer algo bom, extrair algum bom sumo, tornar positiva dessa situação inicialmente negativa. Então, quando suas atividades e seus relacionamentos estão como se você estivesse degustando um limão, a primeira tarefa é mantenha a calma, abra a mente e escolha fazer um nutritivo suco da situação. Em segundo lugar, identificar exatamente que limão é esse. Tenha consciência do que um problema azeda temporariamente a vida sim, mas é possível resolver bem ou minimizar os prejuízos com calma para selecionar exatamente qual a questão para dar foco nesse momento. Um problema de cada vez; um limão de cada vez para não cortar o dedo.

O primeiro impulso talvez seja cuspir logo o azedo, xingar e/ou amaldiçoar meio mundo e sair pisando duro enquanto maquina um contragolpe ou se lembra das suas profecias autorrealizáveis. Se o sangue “ferve rápido" ou o desespero finca da bandeira, é necessário calma para conseguir "ver" os limões a sua frente. Fugir do problema ou fingir de morto não costuma resolver, apenas postergar. No momento da raiva, do medo ou da vergonha podemos ficar "cegos". A dica é "Pergunte-se" coisas sobre os fatos, não perguntas retóricas, aquelas que expressam o sarcasmo e a frustração e não tem nenhuma respostas. Faça perguntas a si mesmo e tente respondê-las: O que está acontecendo? Como isso aconteceu? O que estou sentido agora? Qual limão me azedou agora? Como está minha respiração? Que alternativas eu vejo? Quem está sendo afetado? entre outras.

2. Fatie e esprema os limões

jarra agua com limaoConsciente dos limões que tem à sua frente, agora vamos trabalhar com eles: fatiar e espremer. Afinal, não se faz omelete sem quebrar alguns ovos. (Ops! O ditado é de outro prato, mas a ideia é essa mesmo).

Fatiar é abrir o problema para ver dentro. A visão geral, externa, distante não serve para entender um problema. Precisa pôr a mão na massa, interagir com a questão, porque não se resolver problemas à distância. Fatiar também é cortar a situação em pedaços para começar a entender o problema em seus elementos. Temos a tendência de olhar a situação como um todo, um bloco único. Uma situação é um conjunto de elementos e essa perspectiva contribui muito com a construção da solução. Olhando por partes, conseguimos pensar nas partes e sua função no conjunto, facilitando o trabalho de resolução.

É importante considerar as interações das partes.

Esta observação é importantíssima. Aí está o espremedor. Uma situação é um conjunto de elementos que interagem entre si e com elementos externos. Importante ver isso porque talvez encontremos a necessidade de lidar com uma parte antes de outra para obter o resultado esperado. Podemos encontrar um elemento que se for trabalhado facilite lidar com os demais ou ainda, que se for mexido vai explodir a situação toda. (Por isso não podemos cortar o primeiro fio que vemos ou cortar sempre o fio vermelho, nem sempre funciona.) Talvez alguns elementos precisem ser tratados simultaneamente ou ainda, devam ser encaminhado para outra pessoa. Assim, espremer os limões é analisar e pensar criticamente sobre a situação para extrair tudo o que puder e então tomar decisões mais adequadas e consciente no planejamento de uma solução.


3. Adicione água gelada e gelo

cubos de geloCom os elementos do problema identificados e bem entendidos, vamos colocar em um plano de ação (a jarra) as alternativas pensadas e nessa parte é essencial diluir essas ações no contexto, isto é, precisamos ver se essa solução cai bem no ambiente, nas relações e no futuro da situação problema. Isso é necessário para se executar as soluções determinadas com segurança e sustentabilidade, evitando criar novo problemas ou expandir a situação em questão. Devemos lembrar que, assim como uma situação é um conjunto de elementos em interação, a situação problema também é um elemento entre outros mais que compõe um contexto e nela há diversas outras variáveis que podemos verificar ou intuir serem impactadas. Isso parece complexo demais? Um ditado popular nos alerta sobre isso quando diz que podemos “cobrir a cabeça e descobrir os pés” do santo. Então, a atitude para dar continuidade na técnica é: “Mantenha a cabeça fria"! Por isso, além da água gelada, adicione cubos de gelo se precisar!

Quando estamos com raiva, com medo, envergonhados ou cansados, podemos tomar as decisões das quais iremos nos arrepender, movidos por esses sentimentos e sensações, não raciocinando adequadamente. Dizemos palavras que gostaríamos de retirar em seguida, podemos ferir as pessoas de quem gostamos e a nós mesmo exatamente porque agimos emocionalmente, sem calma e sem ajuda da razão. Dito de outro modo, temos comportamentos de luta, fuga ou esquiva em situações estressantes e agimos impulsivamente em vez de buscar alternativas com inteligência emocional e assertividade para um desfecho positivo.

4. Acrescente açúcar

açúcarPara uma limonada mais saborosa tempere com açúcar a seu gosto. É parte essencial do processo avaliar o "tempero" que usamos no tratamento do problema, assim como o resultado obtido. Para que a solução não seja amarga, somando-se ao azedo do problema é preciso compreender os impactos que nossa ação causará no contexto da situação, nas relações interpessoais e, se for possível considerar também, em um futuro a médio e longo prazo.

Adoçar a solução é considerar que haverá pessoas envolvidas e impactadas com as ações de solução. Agindo impulsivamente para resolver uma situação por ser apenas transferir o problema como uma "batata quente" em uma brincadeira de roda. Essa atitude não alcança uma solução sustentável; nem se resolve, nem se aprende com a situação. Provavelmente outros problemas semelhantes continuarão aparecendo, simplesmente porque não pudemos aprender com os atuais.

Sempre há algo para aprender?

Um ditado chinês diz: "Saber e não fazer, ainda é não saber". Portanto, é a aplicação na prática que indica se algo foi aprendido com a situação, tanto se der certo ou não a ação. Aprender é modificar seu modo vigente de ação, no sentido de impactar a realidade através da manifestação do aprendizado obtido. A transformação individual que uma lição aprendida gera envolve tanto a situação externa, quanto nós mesmos, internamente. Quando aprendemos efetivamente com um dificuldade que enfrentamos podemos até antecipar uma situação problema que se aproxima, podemos ter uma melhor condução da solução e ainda podemos desenvolver mais amadurecimento e inteligência ao lidar com as lições (limonadas) que os problemas (limões) trazem.

5. Beba e refresque-se

Método Limonada para Solução de ProblemasAgora temos a jarra e o copo na mão, a um passo do refrescante gole de suco geladinho. A jarra simboliza o Plano de Ação e o copo a Execução do Plano. Um plano de ação pode ser algo como uma simples linha do tempo ou utilizar ferramentas já bem populares como o 5W2H ou o PDCA. A essência desse momento é você definir uma rota de ação, como começo, meio e fim, antes de iniciar a ação propriamente dita. Inclua prazos necessários, possíveis riscos, planos de contingência para eventuais percalços, responsáveis e outas pessoas que poderão ser acionadas no processo, recursos indispensáveis entre outros elementos que sejam vitais para a implementação da solução encontrada.

Importante é fazer isso antes de agir, mesmo que precise revisar durante a ação. Isso evita que a ansiedade ou a frustração comandem a operação e evita também que a mesma tendência de ação seja posta em prática sempre, afinal, cada situação é uma situação peculiar e ações condizentes devem ser aplicadas para a questão específica. São mínimas as chances da mesma resposta servir adequadamente para as diversas perguntas que surgem na vida ou em um processo em particular.

“Hold... Hold... Hold... Hold... GO!”
Ou “Preparar... Apontar... EXECUTAR!”

Capa-livro-Execução-de-Ram-CharamA execução é um ponto muito sensível do processo. Não adianta a iniciativa sem a “acabativa”. De nada vale um bom plano a materialização dele na realidade. Depois de todo o trabalho de preparação da solução podemos procrastinar, nos omitir, transferir a responsabilidade, fingir de morto, usar uma aquelas bomba de fumaça ninja e desaparecer, podemos ficar paralisados e estupefatos, podemos até fazer o de sempre e ignorar todo o planejamento. Vale nota a crescente atenção ao livro “Execução - A Disciplina Para Atingir Resultados” de Larry Bossidy e Ram Charam , apontando para a importância desse assunto. Os autores colocam a Execução como uma prática que se apoia na Liderança, na Cultura Organizacional e na Disciplina. Trazendo para nosso contexto aqui, podemos dizer a Execução é um fenômeno que requer nossa atitude de liderança pessoal ou liderança de si mesmo, a compreensão do contexto em que estamos atuando (como levantado no passo 4) e a disciplina de utilizar um método (seja esse, seja outro) e de manter a prática constante, consistente, coerente. Então eu preciso estar efetivamente envolvido, disposto para agir disciplinadamente em um contexto que presumo minimamente os efeitos das minhas ações.

Ahhh! Refresque-se

Muito bom! Plano de ação executado. Parabenize-se pela atitude e atividade. Agora vamos avaliar se os resultados esperados foram alcançados ou não, o que precisa ser feito para corrigir o rumo e o que podemos aprender com esse processo. Os resultados podem ser imediatos ou não, mesmo assim precisamos ter um jeito de observar a sequência das nossas ações ao longo do tempo. Reconhecer o resultado, mesmo que em diferentes graus (0 a 100%) é essencial para eventuais decisões no caminho.

Há dois modos de se consolidar o aprendizado e reforçar os novos comportamentos. Um modo é pela análise crítica do processo, avaliando os acertos e erros cometidos (provavelmente regados com frustração e outros sentimentos menos nobres); outro é pela autogratificação devido o acerto obtido. Ajuste o Método Limonada para Solução de Problemas a seu gosto, afinal, a solução das suas situações problemas dependem de você, ainda que receba ajuda para tal.

Obter um resultado favorável não dispensa o valioso momento de refletir sobre os passos dados, a fim de que o final satisfatório possa ser repetido quando necessário. Podemos aprender tanto com erros quanto com acertos, mas aprender efetivamente requer reflexão.

Bônus: Um detalhe sobre o erro

keep-calm-and-sempre-alertaO erro é parte essencial da aprendizagem. Não se permitir a essa possibilidade impede em muito as chances de se desenvolver competências cognitivas e inteligência emocional frente as adversidades. Precisemos atualizar nossa noção popular do que é um "erro"; precisamos compreender e aproveitar essa oportunidade no processo de aprender e se desenvolver. Ao considerar o erro como uma resposta inadequada a uma circunstância específica abrimos a visão para o que mais pode vir de um erro, além da frustração, auto recriminação, auto sabotagem etc.

Estranhamente, uma ação que leva a um erro agora pode levar a um acerto mais a frente e vice-versa. Por isso precisamos nos manter atentos, conscientes e abertos para as lições que não estamos procurando, mas nos são apresentadas. Temos tanto medo de errar que podemos acabar na inação, na omissão, na bomba de fumaça ninja... Se o esforço for no sentido de não errar, talvez iremos parar de fazer muitas e muitas coisas. Se o esforço for em acertar, ou seja, ter foco no resultado, não no processo, temos mais chances de encontrar a solução e aprender com o erro eventualmente.

Então, mantenha-se atento e presente no que está fazendo, onde está, com quem está conversando, na tarefa que está executando, ao que você mesmo está pensando e sentido. É uma tarefa estranha e difícil no início, mas com um pouco de prático os benefícios serão imensos com essa nova atitude. Como diriam os escoteiros: “Sempre alerta”. (http://escoteiros.org.br/)

Em um próximo artigo trataremos mais sobre o erro, o errar, o processo de aprendizagem.

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About Ettore Riter

Psicólogo, Psicoterapeuta, Coach. Atuando profissionalmente desde 2001. Especialista em Gestão de Pessoas por Competências, Desenvolvimento de Potencial Humano nas Organizações e Psicoterapia Breve. Trabalha com o propósito de auxiliar e estimular o desenvolvimento das pessoas através de diálogos relevantes, para construir uma vida que vale a pena.