VP014-Autoconfiança: segurança pessoal

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autoconfiança

A autoconfiança é um sentimento de segurança em si e no que faz. Mas quem não tem uma dúvida de vez em quando? Como ela nasce? E como nós ‘matamos’ essa confiança pessoal? Existe uma educação ideal para uma equilibrada autoconfiança? Por que tentar mostrar sua autoconfiança denuncia sua falta de segurança pessoal?

Tudo que você queria saber sobre Autoconfiança,
mas tinha receio de perguntar.

Auto X Alto

A complexidade da Língua Portuguesa nos obriga a diferenciar AUTO de ALTO e uma correta definição das palavras auxilia o entendimento mais diretivo dos argumentos e seus desdobramentos a seguir. Deste modo, “auto”, se refere a “si mesmo”; que gera algo ao próprio indivíduo, fala sobre você e seus mais íntimos sentimentos e pensamentos. Alimenta o ecossistema psico-bio-social de cada um. Difere, portanto, do adjetivo “alto”, que transmite tamanho, grandeza e extensão.

Assim, a palavra “autoconfiança”, por si só, significa “confiança em si mesmo”, aquele sentimento de confiar em quem se é. Também pode ser dividida em termos de dimensão como “alto” autoconfiança e “baixo” autoconfiança, ou seja, confiar muito ou pouco em si mesmo. Parece óbvio, contudo erros de entendimento e fala sobre auto e alto são muito mais frequentes do que imaginamos. Parece óbvio, mas é uma diferenciação importante.

A "Família Auto"

A "família auto" é uma família muito unida, com parentesco forte, onde um influencia o outro com enorme facilidade. Seus membros são tão interligados entre si que se assemelham profundamente. Residem todos juntos na mesma casa – sua mente. Mesmo a casa não sendo pequena, elas vivem se esbarrando.

Da mesma maneira, os outros membros da "família auto" geram energia a si mesmos (automotivação), geram gosto a si mesmo (autoestima), criticam suas próprias atitudes (autocrítica), demonstram autopiedade, entre demais exemplos.

O que é a Autoconfiança?

Autopolegar-bconfiança é um conceito que alguém faz com relação a confiar nas próprias ações e decisões. O valor, a segurança e a importância que se dá a si mesmo. É subjetivo, pois este valor não pode ser quantificado, assim está apoiado na percepção e julgamento particular. Usualmente é utilizada os valores de baixo e alto confiança, indicando correspondentemente confiar pouco ou muito de si mesmo.

Uma alto autoconfiança aponta mais segurança ao lidar com questões próprias e dos outros, percepções e julgamentos mais seguros, iniciativa, trato pessoal e sociabilidade mais tranquila. Contudo pode apresentar um desnível entre sua confiança e o mundo real, ou seja, sua alto autoconfiança pode lhe conferir uma percepção embaçada da realidade. É o limite onde a coragem fica cega e lhe impregna um destemor audacioso e perigoso. Todos os perigos que excesso de confiança pode apresentar.

Baixa Autoconfiança

Entretanto, alguém com baixo autoconfiança apresenta um sentimento de se considerar inadequado a variadas situações, sofrimento que pode aumentar para um autoconceito de inferioridade. O baixo confiar em si próprio é tão impactante que reflete nas escolhas ruins, ou ausência delas, relacionamentos nocivos, condutas inadequadas, sentimento de ausência de merecimento. Enfim, uma deficiência de desejos internos.

Há, portanto, uma influência direta entre este auto conceito e a postura diante a vida, suas escolhas e explorações a novas situações. Influencia a maneira como vemos e nos relacionamos com o mundo.

Uma autoconfiança equilibrada é uma ótima percepção da diferença do mundo real (possibilidades reais, limitações e limites alheios) e do mundo interno, desejos internos versus limitações. Com esta autoconfiança equilibrada podemos enfrentar desafios da vida e defender nossos interesses de uma maneira muito mais tranquila.

Início da autoconfiança

sendo-autoconfiante1A formação da autoconfiança inicia-se na tenra infância e baseia-se na certeza de seus cuidadores, sejam pais ou quem quer que tenham contato mais íntimo e duradouro. A criança experimenta novidades a partir de suas tentativas e erros, e constantemente é avaliada pelos adultos ou outras crianças, que julgam e classificam estas tentativas, apoiam ou criticam estes erros. Como muitas dessas ações são novas ao mundo infantil, elas mostram aos cuidadores, em quem confiam intensamente, e a opinião destes será internalizada auxiliando-as a construir sua autoimagem ligada à sua autoestima.

Com estas experiências vividas e divididas com outros constroem a confiança em si mesmos. Deste modo pais e cuidadores equilibrados, superprotetores, assim como os ausentes, tem uma influência mais que direta na formação desta característica do indivíduo. Estes extremos de superproteção e ausência acabam deixando sinais negativos perceptíveis e permanentes na formação de uma criança, que se apresentam como uma baixa confiança em si (autoconfiança) e nos outros (dificuldade de confiar), baixa resistência a humilhações e frustrações, pode apresentar dificuldades para ter clareza em seus desejos, e muitas outras características que precisarão ser trabalhadas para uma vida mais equilibrada.

Aprender com os próprios erros

Conceitos mais complexos como aprender com os erros se tornam reflexos diretos da resposta que os adultos lhes deram mediante seus ensaios de vida, suas tentativas. As avaliações daqueles influenciam diretamente nas novas escolhas que estas crianças irão fazer no futuro e marcam profundamente seu valor enquanto pessoas, até nas suas escolhas futuras, sejam elas conscientes ou não. Tamanha é a extensão desta influência que impregna marcas deléveis para toda a vida.

É claro que apesar da extensão da formação da autoconfiança na infância, esta é uma característica passível de mudanças e construções, desde que seja analisada, refletida e trabalhada por profissionais habilitados e muito auto esforço.

Um mestre preparado +
um discípulo esforçado =
caminho para autoconfiança equilibrada

Pais superprotetores

Pais superprotetores tendem a tolher as tentativas pueris e assim não permitir que a criança desenvolva meios próprios de superar suas dificuldades, avaliar riscos, lidar com impactos gerados pelas suas ações, entre outros, ou seja, ficam inseguras em relação ao que podem ou não fazer sem a influência direta dos pais. Já aqueles que criam filhos mimados tecem um mundo de ilusão, onde a criança pode tudo que quiser. Apenas se esquecem que as outras pessoas que não tem uma ligação emocional com seus filhos não respeitam as mesmas regras de protege-los a qualquer custo.

A confiança da criança eleva-se em um ponto altíssimo onde tem a certeza de que “será amada incondicionalmente” por todos. O que, do mesmo modo dos pais superprotetores, constrói um virtual mundo particular. E o grande problema é que vivemos em um mundo real, não virtual.

Pais ausentes

De mesmo modo danoso à autoconfiança existem os pais ausentes, que não opinam e se importam com as experiências vividas pelas crianças. Estas também se formam inseguras pois o meio em que vivem não as dá informações sobre a positividade ou negatividade de suas escolhas. Como não tem ideia de como os outros irão reagir, hesitam em tomadas de decisões e escolhas, muitas vezes óbvias aos demais. Facilmente manipuláveis podem se envolver em relacionamentos danosos e manipuladores.

Enfim, poderia se ficar listando os inúmeros danos causados pela criação inconsequente de pais e cuidadores que influenciam na autoconfiança de alguém. E sabendo deste importante impacto a pergunta é...

Existe uma educação ideal para uma equilibrada autoconfiança?

Sim e não. Como se trata de um complexo questionamento a resposta também não é tão simples. Obviamente existem inúmeros estudos que apontam a influência da educação paternal tanto negativa quanto positiva para a autoestima de uma criança. Esbarram em diferenciação entre impor limites e permissividade, apoio direto e apenas observância, crítica construtiva e destrutiva, frustrações importantes e evitáveis.

Os limites entre estes opostos variam conforme a educação proposta. Entretanto, alguns temas são eixos essenciais, independente da teoria estão sólidos e unânimes. Percepção das qualidades da criança e apresentação para a mesma, levando em conta a idade correspondente, mostrar o quanto ela é amada e querida no ambiente familiar, respeito às suas limitações intelectuais, motoras e emocionais.

A educação universal sempre esbarra em não criticar demasiado, não humilhar, não expor a criança, comunicação constante, contato carinhoso, todos estes fatores influenciam positivamente para uma estima saudável. Existe um equilíbrio entre a criticidade e o incentivo, investir demais em qualquer de um destes dois é prejudicial.

Repressão x Autoconfiança

Poderíamos pensar: "Quanto mais a criança for reprimida em relação às suas atitudes e iniciativas, mais impacto negativo na autoconfiança. Quanto mais apoiada, mais autoconfiança elevada". Pena que não há uma fórmula e isso não é tão simples assim... Existem complicadores que responsabilizam o adulto para determinar quando e quanto uma atitude infantil deve ser apoiada ou reprimida. São eles, os pais, que adequam a necessidade infantil com a necessidade do meio e dos outros. Isso é, em parte, a Educação, no sentido mais amplo do termo.

A criança que não quer tomar banho e se os pais a obrigarem a se banhar estarão reprimindo seu desejo de continuar brincando ou fazendo o que estiverem fazendo. Certo? Errado! Cabe aos cuidadores decidirem se este desejo infantil pode ser realizado neste momento ou em outro. E sabe por que eles decidem e não as crianças? Porque eles tem mais informações sobre deveres, obrigações, direitos, certo e errado, impacto alheio, saúde etc. As crianças, com o direito único delas mesmas, apenas tem o conhecimento do que querem ou não querem (e às vezes nem isso!). Quem tem maior conhecimento possui a maior responsabilidade.

"Mas isso não fará esta criança construir uma baixa autoestima baseada na frustração de seu desejo?" E a resposta, caríssimos, é Não. Porque ela foi ouvida, entendida, compreendida e amada. Houve um investimento dos pais de explicar para este filho de que o mundo interno do querer deve ser adequado ao mundo externo do poder. Nem todo "sim" é expressão de amor, assim como nem todo "não" é opressivo. Ensinar o equilíbrio entre mundo interno (desejos) e mundo externo (realidade) para uma criança favorecerá sua autoconfiança equilibrada.

Sempre existem ótimos materiais para direcionar a educação ideal. O interesse e a dedicação de cada um é que é o diferencial.

Como eu sei se tenho uma boa autoconfiança?

A autoconfiança está situada no mundo interno. Aquele que pertence a cada um, é pessoal e intransferível. E, por conseguinte, somente pode ser avaliada completamente pelo próprio indivíduo. Assim, o único detentor da resposta do questionamento acima é a própria pessoa.

Logicamente existem alguns “termômetros” que podem apontar para uma baixa, alta ou equilibrada confiança. São eles:

  • Postura firme ou temerosa diante de conflitos
  • (in)segurança mediante decisões
  • Relacionamentos saudáveis ou danosos
  • Opinião dos outros
  • Discurso confiante frente a um público X gaguejamento e travamentos

autoconfiante

Autoconfiança dos outros

Não se pode medir completamente a autoconfiança de outro, senão a de si mesmo. Porém pode-se observar e inferir alguns sinais de baixo e alto confiança nos demais, um julgamento possível baseado apenas nas percepções, mas nunca efetivo, pelo motivo apresentado acima (mundo interno).

A baixa autoconfiança é mais detectável, pois apresenta sinais mais visíveis. Facilmente observamos comportamentos inseguros nas falas, nos comportamentos, nas atitudes, nas posturas e nas escolhas. Contudo a autoconfiança alta pode mascarar a mesma baixa autoconfiança. O que parece uma segurança nas atitudes, destemor nas ações, encarar desafios pode significar uma máscara social para disfarçar a insegurança. Onde o papel social vence o verdadeiro sentimento.

Mas a verdadeira e provocativa pergunta é:

Por que avaliar a confiança alheia é tão importante? Falta-me autoconfiança para lidar com o outro?

Mais questionamentos – perguntas e respostas

Mas ter uma alto autoconfiança é sinal de amor próprio, segurança pessoal e maturidade? Ou pode ser um sinal de vaidade, narcisismo, ou pior, orgulho?

Na verdade existe um nível ideal de confiança em si mesmo e quando se excede deste nível, não se respeita alguns fundamentos essenciais à segurança. Destemor (ausência de temor) diante do perigo é tão danoso quanto o próprio perigo em si. O denominado excesso de confiança deturpa a análise real da ameaça. Por isso define-se a autoconfiança equilibrada. Nem baixa demais, impedindo novas experiências, nem alta demais, causando danos a si mesmo e nos outros.

Até que ponto devemos desenvolver nossa própria autoconfiança e demonstrá-la aos demais?

Desenvolver confiança é essencial a vida. Conhecer a própria autoconfiança faz parte dos benefícios do autoconhecimento, é saber lidar melhor com as demandas internas e externas. Vive-se mais confiante e com mais qualidade. Agora demonstrar aos demais é minimamente necessário. Se existir a preocupação que é preciso se demonstrar muito confiante a alguém, analise sua autoconfiança, talvez ela não seja tão alta quanto você achava. Uma autoconfiança equilibrada não precisa ser mostrada, ela é completamente notada naturalmente.

Por que existem tantas dicas sobre “como aumentar a autoconfiança”?

Porque é um dos desejos mais universais humanos. Todos querem ser mais autoconfiantes e acabar com o sofrimento de não saber o que fazer. Contudo acabar com esta insegurança e questionamentos normais da vida é semelhante a acabar com a dor: impossível e altamente danoso. Questionar é viver!

Quando nos deparamos com alguém que visivelmente se demonstra com uma confiança alta em si mesmo, estamos diante de uma pessoa segura ou prepotente?

Difícil dizer com segurança, já que é algo relativo ao mundo interno da mesma. É importante não julgar com poucos dados. Analise melhor, outros indícios aparecerão. Se o julgamento vier muito rápido, desconfie da sua própria autoconfiança em avaliações.

Então, o que é autoconfiança equilibrada?

É simplesmente um equilíbrio entre as demandas internas (desejos, temores, sonhos) com o mundo externo (limites, respeito ao outro, as coisas como são). Quando minha confiança se baseia em fatos concretos e não apenas em vontades. Tenho experiência, posso comprovar e estou tranquilo com relação a isso. Quando conheço os limites do mundo e dos demais, e os respeito profundamente. Analiso riscos e escolho batalhas. Quando faço isso, posso afirmar que tenho uma autoconfiança equilibrada.

E a sua autoconfiança, como é?

 

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Playlist do episódio (Creative Commons)

  • Kevin MacLeod - Protofunk
  • Walter Mazzaccaro - Not return
  • Fortadelis - Funktional
  • Mike Link Harvey Taylor - Tabla Rasta
  • Jazz Oil - Jungle Bungle
  • Jazz Oil - Sie7e
  • Alberto Mandis - Convertation
  • Kevin MacLeod - StyleFunk