VP011-Dependência Emocional ou Co-dependência

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Dependência Emocional ou Co-dependência

Dependência Emocional ou Co-dependência (ou ainda Dependência do Vínculo) é um modo não saudável de relacionar-se com outras pessoas. O codependente condiciona sua identidade às pessoas importantes da sua vida; depende delas para ser si mesmo e torna-se um apêndice destas. Sente-se impelido a ajudar as pessoas e controlar seus comportamentos, buscando ter algum alívio e controle sobre sua própria vida.

“Não é fácil encontrar a felicidade em nós mesmos, mas é impossível encontrá-la em outro lugar”. Agnes Repplier

Dependência Emocional ou Co-dependência
(ou ainda Dependência do Vínculo)

A co-dependência é uma condição complexa e crônica; é difícil delinear suas raízes e seus efeitos na vida do codependente. Sutilmente instalam-se padrões de comportamento, pensamento e sentimento, que são replicados em todas as relações interpessoais, mas o codependente não percebe esses padrões e acaba prejudicando a si mesmo e aos outros que ele quer tanto ajudar. A outra pessoa com a qual o codependente se importa tanto pode ser qualquer pessoa da família ou um relacionamento pessoal, pode ser toda a família ou um grupo em especial. O problema a ser resolvido obcecadamente pode ser qualquer um que pareça importante para o outro naquele momento.

Em geral, não sabe ou não se sente capaz de controlar sua vida, então busca controlar o outro. Sua identidade não é própria, mas condicionada ao outro; o modo como este o percebe fundamenta seu autoconceito. Depende de outro para ser si mesmo, então se torna um apêndice do outro, vendo, pensando e sentido pela “cabeça” do outro; a dependência ou compulsão de alguém amado ajuda a definir a si mesmo como ajudador fiel, se ver como útil e com um sentido.

Reconhecer e definir o problema é essencial para lidar com ele. É o primeiro passo para identificar-se como codependente e, a partir daí, iniciar um processo de recuperação. A recuperação é um modo de conscientizar-se e interromper a reprodução automáticas dos padrões prejudiciais de relacionamento, um caminho em direção a uma solução, valido “só por hoje”. A resolução desse impasse no qual o codependente vive é ‘vital’; não é só para sentir-se melhor, mas para iniciar um processo de recuperação e estabelecimento de vínculos emocionais saudáveis e nutritivos para ambas as partes.

Testemunho de um codependente

“Oi, meu nome é Ettore e eu sou um codependente em recuperação.

O que me faz perceber esse padrão de relacionamento codependente? Geralmente busco agradar as pessoas para ser aceito e valorizado, mesmo se tiver que me anular para isso. Frequentemente me omito e já menti muito para evitar conflitos e parecer melhor ou ser como achei que queriam que eu fosse. Busco ser invisível, mas importante para o outro. Dizer “Não” ainda é bem difícil. Busca ajudar e doar até ficar sem, mas aparentemente nunca preciso de nada ou de ajuda nenhuma. Não digo para alguém o que quero ou do que não gosto para evitar confrontos ou desconfortos. Sinto-me inadequado, incapaz e reprovável em quase tudo. Sinto-me isolado e solitário percebo que frequentemente busco me distanciar das pessoas pensando que isso é ser independente. Mas não é. Ouvir críticas é difícil porque já estou me criticando severamente aqui dentro e quando vem uma confirmação de fora, das outras pessoas, isso é bastante pesado de lidar.

Estou em processo de recuperação, aprendendo a me definir como um indivíduo com tudo o que eu tenho, o que não tenho, o que quero, o que não quero... e tudo ainda pode ficar bem. Estou fazendo diversas atividades, testes e coisas para combater o domínio dos condicionamentos instalados e estou conseguindo aos poucos me ver como sou, sem precisar da aprovação do outro, como o ar para respirar. Posso admitir meus pensamentos a mim mesmo e aos outros, posso apresentar minha opinião, minhas competências e até dizer que tenho problemas, como nessa simples declaração.

Em especial, num momento recente da minha recuperação, a mídia podcast foi uma ferramenta excepcional em novos desafios de recuperação: 1) para compreender minhas opiniões através das opiniões de outras pessoas; 2) para me expor e dar minhas opiniões e contribuições, apesar de qualquer crítica que posso vir, mas para poder contribuir com que precisa, só porque eu posso, não porque eu precise.

Obrigado por me ouvirem. ”

Dilemas do codependente

O codependente sente-se responsável por suprir a vida de uma pessoa ou algumas em especial. Mas tem dificuldades em dirigir e viver a própria vida; não sabe ou não se sentem capazes de lidar com as questões da própria vida, lançando-se para cuidar dos outros, seja para fugir de si, seja para ter controle sobre algo, já que não percebe estar no controle de sua vida.

Em geral, doa-se intensamente aos outros, mas não sabe como receber a reciprocidade, por não se sentir merecedor ou necessitado. Secretamente espera reconhecimento e agradecimento e quando isso não vem pode entrar em um grande conflito interno de amor e ódio em relação à pessoa. Esses conflitos tendem a se acumular e se intensificar, abrindo espaço para abrigar eventuais transtornos psicológicos em diferentes níveis. O codependente pode então revoltar-se, ficar exausto, sentir-se vazio e perdido e até pensar em desistir de tudo, da vida que tem.

Sofrimento silencioso, mas ruidoso também

Infelizmente, poucos dos que convivem com o codependente percebem esse estado emocional, porque ele se esforça em demonstrar que está tudo bem, que está sempre disponível, que é confiável e estável.

Essas tensões podem “vazar” nos relacionamentos por meio de alfinetadas nas falas, de cobranças aparentemente sem sentido ou de pouca importância, de críticas ácidas e/ou veladas, de reclamações sobre assuntos periféricos, desconexos ou antigos. Sem notar, o codependente pode alimentar ressentimentos em si contra as pessoas e delas contra si mesmo; ele pode acumular dívidas emocionais contra as pessoas, que não serão cobradas explicitamente.

Especialista em controle

Torna-se um especialista em controlar tudo a seu redor. Como um Robô, corre de uma atividade para a outra, sem pensar ou sentir. É capaz de fazer listas do que as pessoas pensam, sentem, fazem, dizem (ou não); gasta muito tempo e energia especulando sobre as razões pelas quais fazem isso e não aquilo.

Na intensidade da co-dependência, a pessoa pode ficar obcecada por certas pessoas e para atender as suas supostas expectativas delas, projeta nessas relações algumas fantasias. Então o codependente adota atitudes, como por exemplo de bajulação, de prestatividade, de mártir, de herói, de injustiçado, de justiceiro, de tiranos, de pacifista, de dependente, de independente, desesperado por atenção e aprovação. Talvez isso dê uma sensação de controle, talvez algum alívio ou sensação de segurança, mas tudo é automatizado e geralmente não feito por conclusão racional ou escolha consciente.

Vê o outro, mas não vê a si mesmo

ve o outro, mas nao ve a si mesmoA pessoa codependente esforça-se em compreender bem os outros, mas não conseguem enxergar a si mesmos muito bem. Ela não entende ao certo o que sente, não tem certeza do que pensa; não sabe claramente como para lidar com seus próprios problemas e dificuldades, mas apresentam facilmente uma solução para os outros.

Tem dificuldade em reconhece um problema seu ou admitir que precisa de ajuda com o problema; tende a associar seus problemas aos outros, aos problemas dos outros ou a dependência ou compulsões de alguém que ama; esses discursos poderiam justificar seus problemas pessoais ou dificuldades e certamente validam sua atitude salvadora e controladora. O codependente pode ficar tão absorvido pelos problemas dos outros que não tem disponibilidade emocional para identificar e resolver suas demandas pessoais. Pode dedicar-se sacrificialmente para o bem do outro, mesmo que o prejudique severamente.

Uma caricatura como exemplo

Vídeo: "Número de emergência", Porta dos Fundos

Expectativas dentro e fora

O Codependente sofre tanto quanto o doente/dependente. A dor por amar alguém com problemas pode ser profunda. Então busca anestesiar seus sentimentos e se manter em atividade, cuidando e controlando dos outros. Sua dor é aliviada momentaneamente quando projetada raiva sobre um alvo neutro e por fantasias ocasionais de reconhecimento e valorização. Se mantém sóbrio (longe de outras dependências e compulsões) para ajudar, mas isso leva a grande agitação emocional pelos conflitos internos evocados. Sofre na carona da pessoa doente, porque é um dependente emocional de um doente/dependente; é um “co-dependente” na doença/dependência que o outro desenvolveu (adicção, compulsão, doença crônico e/ou grave, transtorno psicológico, luto não elaborado etc).

Sem ajuda e visto como culpado

Dificilmente os codependentes conseguem ajuda prática e efetiva, porque não são vistos como quem precisam de ajuda para melhorar; infelizmente podem ser julgados como culpados pela dependência/compulsão do doente. Suas dores como cuidador são ignoradas e espera-se que esteja sempre bem, disposto e disponível para ajudar o doente, porque a prioridade é o doente. Os codependentes sofrem em silêncio, esforçando para ajudar e não atrapalhar em nada. A despeito de suas intenções e esforços ainda podem ser acusados de causadores dos problemas ou estorvos no processo de melhora do doente. Muitos rótulos e preconceitos são aplicados aos codependentes que muitas vezes incorporam essas críticas em sua autoimagem e até à sua identidade, mantendo-se silente, prestativo e emocionalmente torturado.

Definição iniciais importante

Escrevemos algumas definições podem ajudar a compreender os atores sociais e a dinâmica que estabelecem.

  • Doente/Dependente é uma pessoa que estabelece uma relação viciosa e não saudável com uma droga de escolha. Mas a co-dependência não se constrói somente na convivência com um drogadito, mas também na convivência com pessoas que vivem uma compulsão ou possuem uma doença grave e/ou crônica.
  • Codependente é a pessoa que estabelece um vínculo emocional vicioso com um doente/dependente de drogas ou compulsões, tornando-se um parceiro emocional do doente/dependente, na doença/dependência dele.
  • Co-dependência é uma condição emocional, psicológica e comportamental, aprendida ou desenvolvida, manifestada por um padrão de comportamentos, pensamentos e sentimentos específicos, altamente ansiógenos, que se desenvolve na convivência prolongada com um doente/dependente, em um ambiente social no qual se pratica um conjunto de regras opressivas para controle sobre o outro, que evitam a manifestação aberta de sentimento e a discussão direta de problemas pessoais e interpessoais, que punem a comunicação assertiva e a postura autônoma, favorecendo uma cumplicidade condicionada e um fusionamento emocional entre determinados membros de um grupo.

Outra definição pode ser vista no site do CoDa (Codependentes Anônimos)

  • Codependência é a inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo. Nos relacionamentos co-dependentes não existe a discussão direta dos problemas, expressão aberta dos sentimentos e pensamentos, comunicação honesta e franca, expectativas realistas, individualidade, confiança nos outros e em si mesmo. Codependência é uma doença que deteriora nossa alma. Afeta nossa vida pessoal, familiar, amigos e parentes; nossos negócios e carreira; nossa saúde e o nosso crescimento espiritual. Ela nos enfraquece e se não for tratada fará com que sejamos mais destrutivos conosco do que com os outros. (http://www.codabrasil.org.br/o-que-e-codependencia-2)

História da co-dependência

Em 1940 se dá a criação de um grupo de ajuda mútua chamado Alcoólicos Anônimos (AA) por Bill W. e Dr. Bob S.. Em pouco tempo o AA se expandiu e começou a afetar positivamente a vida de muitas pessoas dependentes do álcool. As esposas dos alcoolistas que frequentavam o AA também sentiram a necessidade de um grupo para promover ajuda mútua e apoio e aprender a lidar os efeitos trazidos pelo alcoolismo dos maridos.

Nos anos 50 fundaram um grupo de ajuda mútua para dar suporte aos familiares e amigos de alcoolistas e adotaram o nome de Al-Anon. Revisaram os 12 passos, as 12 tradições e os 12 conceitos, utilizando uma versão própria, adaptada a seus propósitos. Com o tempo foram entendendo que o alcoolismo é uma doença familiar e que algumas mudanças de atitudes podem colaborar com a recuperação dessa família. Nas reuniões de grupo, os membros compartilham suas experiências, suas dificuldades e suas vitórias e isso gera força, esperança e aprendizado sobre os desafios comuns que vivenciam.

O termo co-dependência só foi utilizado no final dos anos 70 para descrever as pessoas (cônjuge, filhos etc.) cujas vidas foram afetadas como resultado de estarem envolvidas com alguém quimicamente dependente. Os familiares então desenvolveram um padrão não saudável de lidar com a vida.

Diversas pesquisas foram sendo realizadas e aos poucos mostraram que uma condição física, mental, emocional e espiritual similar ao alcoolismo demonstrava-se em muitas pessoas não alcoolistas ou dependentes químicos que conviviam direta e constantemente com os dependentes. O termo então foi sendo expandido e mais compreendido, e pôde ser aplicado aos familiares de diferentes contextos, de diversas desordens compulsivas, doenças e dependências.

Em 1979, uma publicação define o codependente como as “pessoas cujas vidas se tornara incontrolável como resultados de viverem num relacionamento comprometido com um alcoolista”.

 “Doutor isso é uma doença? Tem cura?”

Tecnicamente não é uma doença porque não tem um fator patogênico verificável, isto é, não podemos fazer um exame laboratorial ou algum tipo de medição para encontrar algo que cause a doença; o que estamos falando está mais para questões clinicas que, através de quadros sintomáticos chegamos a identificar uma situação, não necessariamente um causador. Portanto, a co-dependência não é uma doença, mas um transtorno dito comportamental.

Uma explicação bem simples e direta para ampliar essa discussão pode ser vista nesse vídeo abaixo. Em breve falaremos mais das diferenças entre doenças e transtornos aqui no blog.

Co-dependência: uma condição crônico, progressivo e complexo

Complexa porque a co-dependência tem diversas formas de se manifestar e pode ter múltiplas fontes causadoras o que torna a tarefa de delinear suas origens de difícil a impossível. Além disso, estamos falando de uma situação que afeta a família, ou seja, interfere no fluxo vital de um grupo social com laços afetivos (família) que desenvolve padrões de relacionamento adoecidos e adoecedores, por conviverem prolongadamente em um ambiente com características específicas que cria uma “atmosfera” psicossocial; essa forma de cultura familiar favorece o desenvolvimento de relações interpessoais não saudáveis.

Crônica porque leva tempo para se instalar. Os padrões de comportamentos, pensamentos e sentimentos não aparecem de uma hora para outra, nem se formam depois de um evento negativo isolado. Esses padrões podem ser aprendidos com um familiar ou podem ser elaborados na própria vivencia do codependente. Importante lembrar que é uma posição adaptativa ao um contexto específico, como descrito anteriormente. Podemos entender que houve muitos testes, muitas tentativas, até se encontrar um modo de conviver que não ameace a sobrevivência ou integridade física, emocional, psicológica, social etc. Como se instala paulatinamente, pode-se levar muito tempo para identificar essa situação de sofrimento como sendo um transtorno comportamental e não o jeito normal de viver na família. Após a conscientização de como os relacionamentos estão adoecidos e são adoecedores, também se requer tempo para interromper o ciclo e iniciar um processo de recuperação.

Progressiva porque quanto mais doente/dependente o outro fica, mais intensas são as reações do co-dependente. A preocupação inicial pode levar a sofrimentos e conflitos internos e ir se tornando isolamento, depressão, doenças físicas ou emocionais ou mesmo fantasias suicidas ou outros comportamentos autodestrutivos. Isso pode contribuir para que as pessoas à sua volta fiquem ou continuem doentes.

 

E... Tem cura?

Como não estamos falando de uma doença médica, não podemos falar de cura como entendemos na medicina. O conceito de cura pressupõe a remissão dos sintomas e a eliminação de qualquer traço da presença da doença no organismo. Então, precisamos ir por outro caminho e falar de recuperação, não de cura. Temos de esclarecer ainda que se trata de um processo de recuperação, porque o codependente precisa aprender a lidar com os fatores ambientais que evocam os padrões de comportamento, assim como tem que aprender a administrar suas reações e seus padrões de pensamento e sentimento.

A co-dependência não sai do codependente como uma gripe ou uma intoxicação alimentar. Ela permanece como que “encubada”, sob controle ativo e constante, como é o alcoolismo, a compulsão alimentar ou outros transtornos comportamentais. Certamente aprendem-se jeitos de pensar, sentir e agir que facilitam o lidar com a co-dependência, enfraquecendo sua influência e até sua presença. Ela se mantém como uma sombra, uma ameaça inofensiva, mas que desponta quando se descuida do controle ou menospreza seu potencial destrutivo. Posto isso pode fazer sentido a estratégia de um grupo de ajuda mútua para lidar com a co-dependência

Processo de Recuperação da co-dependência

Deus, conceda-me a serenidade
Para aceitar aquilo que eu não posso mudar
A coragem para mudar o que me for possível
E a sabedoria para discernir entre as duas.
– Oração da Serenidade

Esse fragmento da oração da serenidade pode dar alguma luz de como é necessário que o codependente modifique atitudes e comportamentos para lidar com a co-dependência. (O espaço aqui é bastante restrito e por isso, em breve disponibilizaremos um e-book sobre a dependência emocional para aprofundar sobre suas características e sobre o processo de recuperação).

Não caminhe sozinho

Uma coisa é certa, esse processo não pode ser feito sozinho, não se pode viajar sozinho por esse caminho sob risco de não mudar nada ou de piorar as coisas com mais tensões e conflitos.

O centro da recuperação não está na outra pessoa, por mais que seja a crença. É necessário que o codependente reconheça como se afeta pelos comportamentos alheios (baixa autoestima beirando o ódio a si próprio, comportamentos autodestrutivos, autodesvalorização, autopunições, abundância de raiva e culpa, atração e tolerância pelo peculiar, abandono de si mesmo, problemas de comunicação, problemas de intimidade etc.). Também precisa perceber as formas como tenta afetas as pessoas (por exemplo: a obsessão por alguém, o controle excessivo, o ajuda invasiva etc.).

As Regras Silenciosas

Essencial notar a existência e a familiaridade com as “Regras Silenciosas”; elas não estão escritas e geralmente não são comunicadas explicitamente, mas se desenvolvem na família e estabelece o ritmo dos relacionamentos. Essas regras proíbem a discussão de problemas; expressão aberta de sentimentos; comunicação honesta e direta; expectativas realistas, como os de se ser uma pessoa vulnerável ou imperfeita; egoísmo, confiar em outras pessoas e em si mesmo; brincar e divertir-se; balançar o barco familiar; tão fragilmente equilibrado, através de crescimento ou mudança – por mais saudável e benéfico que esse movimento possa ser. São regras comuns aos sistemas familiares alcoolistas, mas podem emergir em outras famílias também.

Desligamento x Isolamento

Uma importante ação que precisa ser aprendida e praticada é a do desligamento. O codependente precisa aprender a se desligar do doente/dependente. Lembre que ele se conecta com o outro em uma relação não saudável e por isso precisa se desconectar da outra pessoa, grupo ou situação. Não é se isolar ou ficar indiferente ao seu sofrimento ou doença do outro.

O desligamento é uma retomada de si mesmo, é separar-se emocional e fisicamente e se distanciar a ponto de poder ver o outro e ver a si mesmo como pessoas distintas, não fusionadas. Isso é trabalhar diretamente a dependência emocional com a pessoa doente/compulsiva. Isso ajuda a começar a definir melhor sua própria identidade, descobrir seus gostos, reconhecer seus limites, tomar suas decisões etc.

Muito importante frisar é que o desligamento não é isolamento ou indiferença, mas agir com amor e respeito para consigo mesmo. Isso é algo que se desaprende, ou pior, nem chegou a aprender. Não há como respeitar, amar e propiciar relacionamento saudável se não iniciar com a pessoa codependente. Não se vive respeito, amor e relacionamento saudável apenas tentando entregar isso ao outro, como se fosse apenas uma necessidade dele, mas é também sua, do codependente, por isso precisa começar aí. O desligamento atua exatamente na percepção de que são pessoas diferentes convivendo, não uma como apêndice da outra.

Não é fácil, não é simples, mas é extremamente necessário para a recuperação do codependente e perfeitamente possível, apesar dos pensamentos e sentimentos que possam dizer o contrário. O desligamento é necessário para o codependente conseguir se concentrar nos seus limites, suas reações, seus padrões de comportamento. Não é deixar de respeitar, amar, cuidar, se importar, mas é compreender que não se pode controlar o outro, impedir todo sofrimento, garantir o bem-estar ou se responsabilizar pelos comportamentos das pessoas. O mesmo vem na outra direção: a outra pessoa ou grupo não pode controlar o comportamento do codependente, impedir seu sofrimento, garantir seu bem-estar ou se responsabilizar por seus comportamentos.

Eu sou codependente?

questionario-sobre-codependenciaVisite o site do CoDa Brasil e respondas às perguntas do questionário sobre co-dependência. Elas poderão ajudar a perceber padrões de comportamento da co-dependência.

ADVERTÊNCIA: Não é um simples questionário que vai definir acertadamente sobre um assunto tão complexo. Conhecimento de si mesmo requer mais do que avaliações de internet, mas essas perguntas podem fazer você pensar sobre si mesmo de um modo diferente e buscar ajuda. Esse é o objetivo deles: reflexão, não diagnóstico.

Recomendamos que procure um profissional habilitado e conhecedor desse transtorno comportamental e também procure um grupo de ajuda mútua em sua cidade.

http://www.codabrasil.org.br/eu-sou-codependente/

Baixe os slides da palestra:

Dependencia-Emocional-Codependencia.pdf

Dependencia-Emocional-Codependencia.zip (pdf)

 

ESCUTE! PRATIQUE! MULTIPLIQUE!
Respeito e amor para consigo e com os outros.

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Playlist do episódio

  • Walter_Mazzaccaro_-_If_you_like

 

ettore

About Ettore Riter

Psicólogo, Psicoterapeuta, Coach. Atuando profissionalmente desde 2001. Especialista em Gestão de Pessoas por Competências, Desenvolvimento de Potencial Humano nas Organizações e Psicoterapia Breve. Trabalha com o propósito de auxiliar e estimular o desenvolvimento das pessoas através de diálogos relevantes, para construir uma vida que vale a pena.