VP010-Você é Otimista, Pessimista ou Realista?

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Você é Otimista, Pessimista ou Realista?

Otimista, Pessimista ou Realista, qual é sua postura predominante? Esse assunto dá muita discussão e curiosidade. Todo queremos saber como lidar com a vida de uma maneira melhor. Há quem se pergunta "Por que vejo as coisas desse jeito?" e há quem pergunta ao outro "Por que você vê as coisas desse modo?". E o tom de "há algo errado acontecendo" ajuda em alguma coisa?

Você é Otimista?

Segundo o Dicionário Michaelis, otimismo é a disposição, natural ou adquirida, para ver os acontecimentos pelo lado bom e esperar sempre uma solução favorável das situações mais difíceis. Essa disposição para se manter de bom humor ou buscar pensar e sentir as coisas da perspectiva ótima é tida como a melhor atitude para se ter diante da vida e seus fatos.

As vantagens de ser otimista: Um kit de sobrevivência para tempos difíceis", de Allan PercyÉ esse o ponto do livro "As vantagens de ser otimista: Um kit de sobrevivência para tempos difíceis", de Allan Percy, publicado pela editora Sextante. O otimista consegue seguir em frente, apesar das dificuldades, das demandas da realidade ou do próprio desânimo; é como se o otimista tivesse uma proteção especial diante das vicissitudes da vida que o ajuda a ver o copo meio cheio e a possibilidade de encher a outra metade. A importância de encaram os fatos da vida de modo positivo e de desenvolver isso como um hábito de pensar positivamente se soma a necessidade de ser persistente para alcançar os objetivos e metas estabelecidos. O otimista persiste mais, desiste menos e, então conquista mais. Ele sofre menos ou se apega menos a coisas pequenas, aplicando seu tempo e energia em atitudes que podem dar bons resultados. Essa perspectiva positiva, característica do otimista, evita a instalação da amargura e da negatividade nos momentos de crise e sofrimento.

Você é Pessimista?

"As Vantagens do Pessimismo, e o perigo da falsa esperança" do filósofo inglês Roger ScrutonO pessimismo, conforme o dicionário, é a "disposição de espírito que leva o indivíduo a encarar os fatos pelo lado negativo, a esperar de tudo o pior". Nessa perspectiva, o mal se sobressai ao bem, e tudo que pode dar errado, vai dar.

No livro "As Vantagens do Pessimismo, e o perigo da falsa esperança" do filósofo inglês Roger Scruton, são apresentadas razões para se ter uma atitude pessimista, ou ao menos cética ou crítica, diante das questões e forças que organizam e movem a sociedade. O posicionamento do autor sobre as questões sociais é que precisamos agir da melhor maneira possível com a realidade, conservando as virtudes existentes, mas isso ainda pode gerar pouca esperança em um futuro melhor, porque há falácias que distorcem o pensamento e os mecanismos sociais e políticas econômicas super-otimistas, irresponsáveis e ilusório, que ignora as imperfeições humanas e seus efeitos na sociedade, no mundo e na história.

Como sua perspectiva afeta seu dia a dia

Lip, o Leão e Hard, a Hiena

Lip, o Leão e Hard, a Hiena

A maneira de encarar uma situação faz influência direta no tratamento dado à situação. A perspectiva otimista ou pessimista é como uma pré-disposição em interpretar os acontecimentos em um viés específico, positivo ou negativo.

Os arranjos de dados percebido, que chamamos de fatos, são também uma organização regida por leis da percepção, que favorecem uma determinada interpretação da situação. Assim, a pessoa se posiciona diante da situação ou dificuldade a partir da sua interpretação particular, que contém fatores internos e externos, processado como compreensões e conclusões.

Para saber mais sobre essas leis da percepção leia nosso artigo sobre a Psicologia da Forma (ou Psicologia da Gestalt).

O pessimista

Hard, a caricatura da atitude pessimista

Hard, a caricatura da atitude pessimista

No dia a dia, o pessimista está mais focado nos problemas que nas soluções destes; ele confia na “Lei de Murphy” e espera que dê algo errado, o que mantém o problema e confirma sua posição pseudo-realista. Em geral, o pessimista faz isso não por mera arbitrariedade, mas por um condicionamento de pensamento, um hábito em esperar pelo pior. A perspectiva enviesada negativamente sobre as situações, as pessoas, si mesmo e a vida acaba sendo automatizada a aplicada a tudo, em todo o tempo. Isso pode gerar um encurtamento das ações ou restrição das possibilidades da vida. Sua acomodação à posição negativista faz o pessimista confrontar-se constantemente com a autossabotagem, as desilusões persistente e as frustrações recorrentes e a tentação do automatismo dos comportamentos abertos e encobertos.

A importância do Pessimismo (?)

Apesar do risco da apatia permanente e o aumento do desânimo frente às dificuldades, o pessimista pode aproximar-se da realidade quando não se apega a uma fantasia de mundo perfeito, bonito e cheiroso. Ele sabe que não há soluções sem trabalho ou esforço, que as dificuldades vão acontecer, que há sempre margem para erros e acidentes. Mas essa postura aparentemente prudente pode levar a excessos ao extrapolar os limites da sua convicção, como, por exemplo, não procurar por soluções simples e desacreditar delas, cultivar pensamento catastrofista ou mesmo restringir o campo vital em nome da segurança, prudência ou perfeição.

Certamente, uma pitada de pessimismo pode trazer o benefício de desembaçar a visão quanto cenários futuros, identificando as consequências das ações e decisões, os possíveis furos nos planejamentos e execuções. Um cuidado que se deve ter na construção desses cenários é não se perder nesse processo, gastando muito tempo na preparação ou construindo apenas cenários apocalípticos que não ajudam a construir solução nenhuma; outro cuidado é não executar uma ação para solução.

O Otimista

optimismo

Otimista "clássico", que ignora o negativo da realidade, é o contra-ponto do pessimista. Para o otimista basta acreditar em algo que isso vai acontecer, ele vai conseguir o que quer. Espera solução mágica, através do pensamento mágico, sem trabalho ou esforço.Mas pensar positivo não é suficiente para lidar com a realidade. Essa postura também pode prejudicar a vida por não ser realista. Sua busca excessiva da felicidade fácil (imediata ou adiada) e o desejo por soluções simples faz o otimista debater-se com desequilíbrio bastante nocivos a médio e longo prazo, como a autossabotagem, as frustrações persistente ou recorrentes e a tentação da alienação da consciência.

Esse personagem otimista, exagerado em sua positividade “contagiante”, é descrito no popular como o "otimista poliana". Esse adjetivo faz referência a uma personagem da literatura chamada Polliyanna. O romance homônimo, escrita por Eleanor H. Porter e publicado em 1913 é considerado um clássico da literatura infanto-juvenil. Conta-se a história de uma menina que ficou órfã e passa por várias dificuldades, mantendo sempre a visão positiva sobre a vida a a atitude otimista ao lidar com seus revezes. A pungência dessa história colocou a personagem como sinônimo de otimismo.

A importância do Otimismo (!)

Já no senso comum se atribui inestimável importância ao otimismo. Podemos até mencionar de alguns mitos que surgem do possível endeusamento do otimismo, tal como ser o jeito certo de encarar a vida, tendo suporte emocional mais adequado e equilibrado; a melhor abordagem para solução de qualquer tipo de problema; e a atitude que oferece maior chance de aprender com os erros. Mitos contrários também existem: o otimista é iludido e o pessimismo é realista.

No trato do dia a dia, o benefício do otimismo está em alimentar esperança, como um combustível aditivado que ajuda a lidar com as agruras da vida de modo a não sucumbir ante as dificuldades das situações. Ele também oferece um incremento do bom humor e positividade, essencial para lidar com questões complexas, prolongadas ou de grande sofrimento, amenizando o sofrimento ou supostamente gerando menor dor ao otimista. Por fim, o otimismo teria maiores condições emocionais de construir soluções diante das adversidades.

Você é Realista? (ou Otimismo Realista)

gangorra-otimismo-pessimismo

Gangorra do otimismo e pessimismo

Vamos tratar aqui não exatamente do Realista, como se costuma considerar antagonista ao Otimista exagerado e o Pessimista catastrófico. Vamos lidar com a figura do Otimista realista, que apresenta uma distinção valiosa do realista. O realista se define como alguém com acesso claro e direto a realidade, por tanto, com condições absoluta de interpretar a realidade de modo isento e definitivo, usando de ceticismo e criticismo para isolar e compreender os elementos do real. No geral, o realista é um diagnosticador que vai emitir seu laudo sobre os fatos da realidade, abstendo-se de uma postura ativa ou pré-disposta a uma ação positiva sobre a realidade.

Otimista realista tende a encarar o mundo como ele se apresenta. Isso o leva a trabalhar em direção a um resultado desejado na realidade em que está inserido. Essa postura diante dos acontecimentos, obstáculos e conquistas é uma reação positiva às demandas da vida real, configurando um meio termo entre o foco no problema e fé na solução mágica.

Manter o foco positivo sobre a situação favorece encontrar caminhos e soluções. Tanto o pensamento mágico, quanto o pensamento catastrófico impedem de lidar com a realidade de modo equilibrado e produtivo. Buscar uma abordagem prática e direta para solucionar a situação é o que distingue a atitude otimista realista da mera atitude realista que, grosso modo, não se posiciona, permanecendo com o foco no problema ainda que de modo não negativista/pessimista. Enfim, a conexão consciente com a realidade favorece a assertividade, a tomada de decisões para soluções, mais baseado no existente e menos no esperado.

Exercitando ser Otimista realista

voce-é-otimismo-ou-pessimismoDiante do problema ou situação presentes, você pode se fazer algumas perguntas que ajudarão a identificar a postura adequada ou mudar o esquema condicionado de enfrentamento da realidade, seja o otimismo ilusório ou pessimismo acido.

Para exercitar adotar uma atitude mais otimista realista, questione-se sobre as situações:

  • O que está acontecendo?
  • O que realmente precisa ser feito?
  • O que eu realmente posso fazer?
  • Quem pode me ajudar?
  • Que piores cenários podem se formar como consequência de não solução?
  • Quais os piores cenários para se não derem certo as soluções propostas?
  • Que pessoa/grupos serão afetados com essas ações propostas como solução?

De relance, pensar em cenários negativos pode parecer pessimista, mas não se busca a postura pessimista de considerar tudo ruim a priori. Na sua boa utilização é uma ação em prol da solução, através da compreensão da situação. Queremos tanto um cenário positivo que podemos ignorar dados importantes e nos furtarmos de abstrair e aprender com a situação. No processo de identificação dos cenários negativos se projetam desdobramentos e consequências de cada ação e elemento do cenário atual, o que amplia a compreensão das questões envolvidas. Durante a realização desse exercício consciente, soluções e caminhos já podem ser percebidos.

Para se construir uma visão de realidade

otimismo-pessimismoParar de perseguir a positividade e cessar o esforço para evitar a negatividade é um passo inicial. A realidade contém ambos os “polos”, que é que podem ser definidos assim. É preciso considerar que esses “polos” se completam e se equilibraram, pois não há só o bem e o positivo ou o mal e o negativo. Positivo e negativo, bem e mal, são a interpretação que fazemos de como os fatos e acontecimentos nos afetam. A realidade é neutra; nós aplicamos a ela nosso julgamento de valor para saber como lidar com ela. Mas precisamos aprender a ver a realidade nessa perspectiva.

Precisamos aprender também a nos questionar: isso é real ou da minha fantasia/expectativa/interpretação? Tenho todos os dados para compreender os fatos? Outra pessoa também concluiria isso? Entender o que se passa, antes de fazer um juízo de valor, tem grande influência positiva nos planos de solução e ações na realidade. A partir daqui podemos diferenciar a aceitação de uma dada realidade imperfeita de uma resignação plastificada; podemos relaxar da busca constante de perfeição e soluções de excelência impecável, e fazer “apenas” o melhor que podemos fazer.

Você é Otimista, Pessimista ou Realista?

voce-é-otimismo-ou-pessimismoVocê tende a ser otimista, pessimista ou realista? Como identificar sua a atitude diante das circunstância? Em relação ao futuro você imagina que... Em comparação com as pessoas com as quais convive, como você classificaria suas interpretação das situações? O que já lhe disseram sobre sua atitude, posicionamento ou comportamento? Qual a sua reação imediata (pensamento, sentimento e comportamento) ao se deparar com um obstáculo?

A importância de se identificar está na abertura de possibilidade de mudanças quando se está consciente de si mesmo. Mas isso não tem valor nenhum para comparação entre as pessoas, classificação, valorização ou não.

Você não precisa de um teste para saber como são suas atitudes, algo que venha de fora para classificar você. O que realmente é necessário nesse processo de conhecimento de si é observar-se, ter atenção sobre o que faz, como faz, porque faz, o que está pensando e sentido quando algo acontece. É um exercício importante, parte do conhecimento de si mesmo, mas que não se esgota como recurso, posto que oferece informações apenas da perspectiva interna, apenas uma visão particular de si mesmo. É essencial obter informações do ambiente externo, por isso o feedback recebido de outras pessoas é valioso para auxiliar nesse processo de autoconhecimento. Então, conhecer a si mesmo requer relações humanas para efetivamente acontecer.

Outras citações e indicações feitas nos episódio

ESCUTE. PRATIQUE. MULTIPLIQUE.
O otimismo realista é o melhor dos dois mundos.

Trilha Sonora do Episódio

  • AdHoc - Retard
  • Fuzzy Tunes - Karl-Heinz Schmitt
  • Mike Link Harvey Taylor - Tabla Rasta
  • Grant siedle - Feel the force
  • Jazz Oil - Jungle Bungle
  • The James Quintet - Time To Split take 04

ettore

About Ettore Riter

Psicólogo, Psicoterapeuta, Coach. Atuando profissionalmente desde 2001. Especialista em Gestão de Pessoas por Competências, Desenvolvimento de Potencial Humano nas Organizações e Psicoterapia Breve. Trabalha com o propósito de auxiliar e estimular o desenvolvimento das pessoas através de diálogos relevantes, para construir uma vida que vale a pena.